Construções em Pedra: Quando a Ilha se Tornou Casa
Na Terceira, a pedra não está apenas na paisagem.
Está nas casas, nos muros, nos caminhos, nos currais e em inúmeras construções espalhadas pelas freguesias.
Durante séculos, construir significava aproveitar aquilo que a própria ilha oferecia. E numa ilha vulcânica havia uma matéria-prima em abundância: a pedra de lava.
As pedras retiradas dos terrenos eram aproveitadas para levantar muros, dividir propriedades e proteger as culturas do vento.
Nas casas, a pedra tornou-se estrutura, parede e também elemento decorativo.
É por isso que encontramos tantas construções onde o negro da pedra contrasta com o branco das paredes.
Mas há um detalhe que merece atenção: as cantarias.
À volta das portas e janelas, nos cunhais e nas fachadas, a pedra era cuidadosamente trabalhada pelos canteiros.
Mais do que casas
Quilómetros de muros atravessam as pastagens, formando as parcelas que ainda hoje desenham grande parte da paisagem rural.
Quase nada era desperdiçado.
A pedra que dificultava trabalhar a terra transformava-se precisamente no material utilizado para organizar e proteger essa mesma terra.
Sabia que…?
Muitos dos antigos muros eram construídos em pedra seca, praticamente sem argamassa.
Os pequenos espaços entre as pedras permitem que parte do vento atravesse o muro, em vez de toda a força ficar concentrada contra uma parede fechada.
Quando atravessar uma freguesia, repare nas casas mais antigas.
A pedra vulcânica passou pelas mãos de gerações de terceirenses.
O vulcão não criou apenas a ilha. De certa forma, ajudou também a construir as suas casas.
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