Monte Brasil — Entre Baleias, História e Lenda
À entrada da baía de Angra ergue-se o Monte Brasil, uma das imagens mais marcantes da Terceira.
A sua posição privilegiada sobre o oceano fez deste lugar, ao longo dos séculos, um verdadeiro posto de observação do Atlântico.
Foi aqui que se construiu a imponente Fortaleza de São João Baptista, iniciada durante o domínio espanhol. As suas muralhas guardam episódios surpreendentes: no século XVII, D. Afonso VI, rei de Portugal, esteve desterrado na fortaleza e, mais de dois séculos depois, também aqui esteve Gungunhana, imperador de Gaza, deportado para os Açores.
Mas o Monte Brasil guarda também uma forte ligação à história das baleias nos Açores.
No tempo da caça à baleia, os pontos altos junto à costa eram essenciais. Os vigias passavam horas a percorrer o horizonte à procura do sopro de um cachalote.
Quando surgia o sinal no mar, o aviso era dado aos baleeiros.
A caça desapareceu, mas as baleias não.
Hoje continua-se a olhar para o mesmo oceano à procura de cachalotes, golfinhos e outros cetáceos. A diferença está no motivo: antes procuravam-se baleias para caçar; hoje procuram-se para observar, estudar, fotografar e proteger.
Os antigos conhecimentos dos vigias — saber ler o mar, reconhecer um sopro à distância e localizar os animais — encontraram assim uma nova vida.
E há ainda uma lenda ligada ao nome do monte. Muito antes da descoberta do Brasil sul-americano, antigas cartas representavam no Atlântico uma misteriosa ilha chamada Brasil ou Hy-Brasil, uma terra que, segundo a tradição, surgia e desaparecia entre os nevoeiros.
Sabia que…?
Os Açores são hoje um território privilegiado para a observação de cetáceos.
No Monte Brasil, olhar o horizonte ganha assim outro significado: o oceano que outrora sustentou a baleação é hoje um lugar de encontro com as baleias vivas.
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